MEUS SECRETOS AMIGOS
(Paulo Sant'Ana - em O Gênio Idiota)
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade, disse o Jorge Luís Borges. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores. Mas enlouqueceria se morressem os meus amigos. Até mesmo aqueles amigos que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.
Alguns deles não procuro. Basta-me somente saber que eles existem, essa mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas porque não os procuro com assiduidade pejo-me de lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação dos meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não o declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital. Porque eles fazem parte do mundo que eu tremulamente construí. E se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se algum deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo para a loucura ou para o suicídio. Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é talvez maior fruto de meu egoísmo do que por quanto eles souberam tornar-se a mim tão caros. Mas como as duas coisas se confundem, eu alivio minha consciência.
Por vezes, mergulho em pensamento sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me uma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer. Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos que sabem que são meus amigos. E principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos.
Original disponível em http://www.recantodasletras.com.br/mensagens/1609709
quinta-feira, 21 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Ser vivente ou ser existente?
Nietzsche já nos alertava: ”alguns homens já nascem póstumos?”, quem são eles? Como saber se não faço parte de necrotério?
Muitas pessoas se encontram perdidas no modo de viver, esquecendo da preciosidade que tem nas mãos, não tomam consciência, ainda se encontra na sua “menoridade” intelectual, são absorvidos, misturados na massa sem ao mesmo se unificar, está no automático existencial, ao qual podemos denominar de ser existente. Este ser acha que sabe o que faz, mas se formos nos aprofundar e estuda-lo, veremos que ele não sabe o que faz, mas acha que sabe, um ser contraditório, inconstante, vai onde a onda leva, volúvel, mero espectador do teatro humano, se esquece de que devia atuar e não apenas observar, talvez tenham a sorte de cair em si algum dia, antes que se finde sua breve existência, ou estarão condenados a viver a mercê das opiniões alheias, dos convenientes mascarados e sem perceber que não fez o que deveria ter feito.
O ser vivente é o ser autônomo, consciente de si, fazedor do seu próprio destino, aproveitando as oportunidades e desbravando a realidade, desbanalizando o banal. Este individuo não vê nas intempéries existenciais um problema, mas sim uma superação a ser conquistada, sabe qual é a ordem natural das coisas, sentem os velhos temores, mas não se paralisa diante dele, como um poeta transforma sua tragédia de “nem tudo é como a gente quer” em uma viagem a quem não tem pressa, se aprofundando no que precisa ser aprofundado, sabe que a luz esta logo ali e que a única coisa a se fazer é caminhar, seguir em frente, não parar, pois não nascemos para se acomodar, teremos tempo o suficiente para se acomodar quando a morte chegar e enquanto vivemos, vamos construindo sonhos, desmistificando o que nos prende, um eterno aprendiz da enigmática vida, que se conduz para o ser vivente há apenas um caminho: o ser feliz!
O ser vivente é o ser autônomo, consciente de si, fazedor do seu próprio destino, aproveitando as oportunidades e desbravando a realidade, desbanalizando o banal. Este individuo não vê nas intempéries existenciais um problema, mas sim uma superação a ser conquistada, sabe qual é a ordem natural das coisas, sentem os velhos temores, mas não se paralisa diante dele, como um poeta transforma sua tragédia de “nem tudo é como a gente quer” em uma viagem a quem não tem pressa, se aprofundando no que precisa ser aprofundado, sabe que a luz esta logo ali e que a única coisa a se fazer é caminhar, seguir em frente, não parar, pois não nascemos para se acomodar, teremos tempo o suficiente para se acomodar quando a morte chegar e enquanto vivemos, vamos construindo sonhos, desmistificando o que nos prende, um eterno aprendiz da enigmática vida, que se conduz para o ser vivente há apenas um caminho: o ser feliz!
Original disponível em: http://filosofarumaarte.blogspot.com/2009/06/ser-vivente-ou-ser-existente.html
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