domingo, 19 de junho de 2011

SONETO DO CAVALEIRO


Sentado as margens da louca imaginação
Vislumbre-me na neblina, na densa neblina...
Lá vou, ao longe, cavaleiro errante
Envolto na gelada nuvem de pensamentos
Caminhando perdido... por não haver o que se procura
Resta-me a consolação
Açoito-me no vazio de possibilidades sem apogeu
Martírios deslizantes, recomeços improváveis.

O vento geme em murmúrios que fogem de mim
Caminho pra longe, em busca da verdade
Destemida e desmedida verdade
No limite dos tempos, dos rios de águas claras
Nos pensamentos um turbilhão, dos pássaros em revoada
Onde os sonhos descansam envoltos de liberdade.

Na liberdade de se construir algo novo, de novo
Além dos limites  já definidos
Para muito além destes muros... 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Desequilibrio Saudável

 Li, gostei e repasso pra vocês diretamente de Tuca Reinés, para a revista da Audi.

Sei que a normalidade é almejada pela maioria. Mas a verdade é que nem sempre as pessoas normais são as mais interessantes. De alguma forma é preciso sair dos trilhos para se destacar. Ser criativo e ousado exige correr certo risco – e esse risco foge ao que pensamos ser “equilibrado”. No esporte, por exemplo, os atletas mais geniais e de destaque são aqueles que mais se arriscam, aqueles que ousam. Nas artes também. As obras que mais mexem com a gente são aquelas que fogem do padrão. Neste momento, alguém pode retrucar: “Mas quem arrisca às vezes erra”. Sim, verdade. Mas também, quando acerta, pode ter certeza de que vem algo muito especial.

A genialidade não é equilibrada. Nem sempre nesse processo os meios são palatáveis para todos. Mas aí é que está a questão. Se essas pessoas especiais fossem (e agissem) como outras, não seriam o que são. Essa é a graça. Quando o cirurgião sul-africano Christian Barnard disse na década de 1960 que pretendia fazer um transplante de coração, muita gente o chamou de louco, achavam que o órgão não era como os outros e que essa ousadia nunca viraria uma realidade. Hoje, Barnard é considerado o pai do transplante do coração em seres humanos, um gênio. A medicina é um bom exemplo aqui, já que nenhum pesquisador vira pioneiro em alguma coisa se não fizer algo que as pessoas acham, no mínimo, estranho. O trilho da normalidade não permite certos arrojos.

É claro que há prós e contras nessa matemática. Como há um toque de loucura – de desequilíbrio – na genialidade, muitas vezes essas pessoas são mais difíceis de lidar. É o preço que se paga. Na hora de escolher pessoas para compor uma equipe, por exemplo, é preciso ter isso em mente. Se a ideia é inovar, talvez valha a pena investir em um certo desequilíbrio, mesmo que isso exija uma dose de paciência desnecessária para com os mais equilibrados. Mas, nessa hora, lembre que o equilíbrio – trilho da normalidade – pode ter suas limitações.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pensante

Por vezes, no meio da noite... quando sono se esvai e insiste em não voltar, permito-me viajar em pensamentos do tipo: E, se pudéssemos viver para sempre... Sei quão isso seja impossível de realizar, mas me afasto desta racionalidade tosca e pedante, permito-me colocar a pensar no que isso seria...
Viajar pelo espaço sideral afora... viajar no tempo, voltar a tempos pretéritos... 100 anos ou 1000 anos, pouco isso importaria... isso seria insignificante, pois em nossa imortalidade, esses anos passariam como num instante.  
Mas a realidade presente se faz insistente no sonho deste cavaleiro pensante, que insiste em sonhar acordado... Haveria ainda toda sorte de maldades e corrupções, o ódio sobre-existiria ao amor e a caridade. O homem esse "animal social" que não gosta de invasões à sua privacidade; mas haveria privacidade??  Seríamos tantos, que andaríamos todos aos montes...verdadeiras hordas de andarilhos despossuídos.... Viveríamos em pequenos cubículos individualizados ou em grandes estantes expostas em ginásios ou galpões??
Com o passar do tempo surgiriam novos problemas (éticos, políticos, etc.) o que obrigaria a uma intervenção de novos pensadores... que voltando seus olhos e pensares ao passado distante buscariam na velha e boa mãe Filosofia respostas as suas novas-velhas indagações: "É correto continuar com a clonagem de Seres Humanos?" (agora começa a ser possível, daqui a 300 anos será banal!), "Como tirar os meninos das ruas?", entre outros...
Se a ciência, a técnica, a massificação mundial de informações, agora já levantam problemas, daqui a uns tempos, à velocidade do progresso, se apresentarão problemas com os quais nós jamais tenhamos sonhado, esses que existem.. continuarão a existir, independentemente de sermos mortais ou não. Isso até parece ironia....será?
Com um pouco de sorte até seríamos discípulos de novíssimos pensadores que na sua origem não teriam se esquecido do bom e velho Sócrates, o que levaria a um aperfeiçoamento do nosso filosofar. Mas ainda não cheguei ao essencial. Se esta imortalidade nos fosse possível, em vez de uma Divindade, seríamos nós os deuses, pois nada mais fugiria ao nosso alcance. Seríamos senhores do tempo, donos da verdade, mestres em tudo. Será???  E será que a inexistência de um Deus é boa? Aonde buscaríamos refúgio?? Em quem apoiaríamo-nos em momentos de angústia, nossa solidão, nossas fragilidades??
E essa existência sem limites? Não nos fartaríamos dela? O que seria de nos com 300 anos em sala de aula, para depois poder ingressar no ensino superior? Nossa!!! Melhor nem pensar. Por mais que possamos desejar a eternidade, vamos combinar entre nós... por mim basta-me chegar aos 100 anos, para ter tempo para fazer tudo, desde ler, ouvir música,ver tv, responder meus e-mails, falar, rir, ler... Embora isto seja pessoal, quero perder a pressa de viver...  nem cultivar a sede de uma longa existência ... bastando-me, por ora, ter apenas por aqui passado.nem cultivar a sede de uma longa existência ... bastando-me, por ora, ter apenas por aqui passado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Cavaleiro da Fé

Nos fins do século XIX, um jovem pastor dinamarquês, chamado Soren Kierkegaard, descreveu em um livro como seriam os traços, a postura, a fala e o modo de vida de um autêntico “cavaleiro da fé”. Desde que o li, fiquei imaginando, como se apresentaria hoje, num mundo tecnológico pós-moderno, materialista e individualista, alguém que tivesse de fato compreendido verdadeiramente o que é o Evangelho e o que é ter fé autêntica, e como ele enfrentaria as contradições de nossa época. Atrevo-me aqui, a discorrer um pouco sobre essa existência: