quarta-feira, 15 de junho de 2011

Desequilibrio Saudável

 Li, gostei e repasso pra vocês diretamente de Tuca Reinés, para a revista da Audi.

Sei que a normalidade é almejada pela maioria. Mas a verdade é que nem sempre as pessoas normais são as mais interessantes. De alguma forma é preciso sair dos trilhos para se destacar. Ser criativo e ousado exige correr certo risco – e esse risco foge ao que pensamos ser “equilibrado”. No esporte, por exemplo, os atletas mais geniais e de destaque são aqueles que mais se arriscam, aqueles que ousam. Nas artes também. As obras que mais mexem com a gente são aquelas que fogem do padrão. Neste momento, alguém pode retrucar: “Mas quem arrisca às vezes erra”. Sim, verdade. Mas também, quando acerta, pode ter certeza de que vem algo muito especial.

A genialidade não é equilibrada. Nem sempre nesse processo os meios são palatáveis para todos. Mas aí é que está a questão. Se essas pessoas especiais fossem (e agissem) como outras, não seriam o que são. Essa é a graça. Quando o cirurgião sul-africano Christian Barnard disse na década de 1960 que pretendia fazer um transplante de coração, muita gente o chamou de louco, achavam que o órgão não era como os outros e que essa ousadia nunca viraria uma realidade. Hoje, Barnard é considerado o pai do transplante do coração em seres humanos, um gênio. A medicina é um bom exemplo aqui, já que nenhum pesquisador vira pioneiro em alguma coisa se não fizer algo que as pessoas acham, no mínimo, estranho. O trilho da normalidade não permite certos arrojos.

É claro que há prós e contras nessa matemática. Como há um toque de loucura – de desequilíbrio – na genialidade, muitas vezes essas pessoas são mais difíceis de lidar. É o preço que se paga. Na hora de escolher pessoas para compor uma equipe, por exemplo, é preciso ter isso em mente. Se a ideia é inovar, talvez valha a pena investir em um certo desequilíbrio, mesmo que isso exija uma dose de paciência desnecessária para com os mais equilibrados. Mas, nessa hora, lembre que o equilíbrio – trilho da normalidade – pode ter suas limitações.

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